segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Padronização, por favor!

Kuki, Librix, Satux, Kurumim, Fedora, Ubuntu, Debian, Yellow Dog, Gentoo, Mandriva, etc. O que todos esses nomes tem em comum? São distribuições Linux. Algumas delas, as Librix e Satux, você encontra ao ligar alguns notebooks à venda no mercado Brasileiro. O problema? É tudo Linux, mas não é tudo a mesma coisa.

Vamos passar ao largo da discussão da liberdade de se montar a sua distribuição, com a sua cara e adaptada as suas necessidades, porque isso é bom de se discutir de maneira acadêmica, mas no mundo real (e no mercado) isso não diz muita coisa. O fato é que o Linux não é um padrão de fato e isso influencia direto na sua adoção.

Mas, afinal, porque devemos ter um padrão de fato? Pelo mesmo motivo que devemos ter bocais de lâmpada e lâmpadas rosqueáveis padronizadas. Facilita a vida de todo mundo, fabricante, comerciante e usuário. Nos velhos tempos não havia padrão, cada fabricante criava o seu e o resultado era uma catástrofe, fabricante tinha que ganhar o cliente na obra, o comerciante tinha que diversificar muito o estoque para ter uma venda mínima e, enfim, o cliente, podia ficar na mão de um fabricante que podia desaparecer por um baixo volume de vendas. Ou seja, não era bom pra ninguém ter a liberdade de se desenvolver o seu próprio padrão proprietário, adaptado para certas situações e métodos de fabricação. O mercado deseja um padrão que, por mais que não seja perfeito, resolva a vida da maioria sem maiores sobressaltos.

Eu, como usuário, vejo o Linux hoje da mesma maneira: cada distribuição segue o seu padrão, adaptadas para certas necessidades específicas, definidas de acordo com a filosofia do distribuidor (não do usuário) e os usuários comuns ficam confusos entre as múltiplas escolhas e as diferenças encontradas entre elas.

Tenta explicar para um usuário comum o porque do Librix e que ele poderia trocar para outro Linux. Na certa quando ele ouvir "trocar", ele não vai pensar em outro Linux que ele não consegue entender. O problema hoje é não haver um comitê ou força equivalente na indústria para definir uma distribuição Linux "padrão" para o mercado. O mais próximo disto é a Canonical com o Ubuntu, que praticamente hoje tem o nome Ubuntu tão forte como o nome Linux, além de uma boa aceitação com os usuários por tornar o sistema fácil de usar. Discorda? Configura o Debian para montar pendrive automaticamente com link na área de trabalho. Isso é coisa pra hardcore, não pra usuário doméstico.

Resta a esperança de que, nas conjecturas atuais, a Canonical consiga um bom marketing com os montadores de hardware para incluir o Ubuntu, ou uma de suas variantes, em computadores novos. Não adianta a gente espernear, querer ser purista, ou então empunhar bandeiras de diversidade: o fato é que um padrão é necessário e isso deveria ser a bandeira dos usuários Linux hoje. Só assim teremos aplicações mais interessantes (e até mesmo jogos) migrando para o sistema do Pinguim.

6 comentários:

BCS disse...

E como é que você me esquece o linux hanna montana?

http://www.meiobit.com/meio-bit/open-source/hanna-montana-linux-pedobar-approved

Já vi por ai que são mais de 600 distribuições...

Agora fico admirado o pessoal criticar a ms por ter tantas versões do vista e do 7... (será que é pq tem pouco?)

PV disse...

Bom, eu me esforcei para não falar o nome do Sistema-Operacional-Que-Você-Sabe-Muito-Bem-Qual-É, também acho ridículo o número de versões dele no mercado hoje (starter, home, professional, ultimate, server, com fitinha rosa, etc), então nem digo o que eu acho dessa orgia de distribuições. Concordo com duas versões: uma standard, para casa e desenvolvimento, e uma server, como o nome diz, voltada para servidores. Saiu disso, é besteira. Inclusive para Linux.

BCS disse...

É tudo uma forma de aumentar o lucro, tem gente que pagaria, 50, outros 100, 150, etc

Entao vc cria versoes com todos os precos, o custo para eles fazerem isso é minimo.

Já o linux a questão é ideologica, alguem acha que seria mais bonito o wallpaper padrao ser verde e não azul, entao faz sua propria distribuição.

Mas nessas distruições, tem problemas de incompatibilidade de software?

PV disse...

Teoricamente é pra funcionar tudo igual. Só que binário Linux gera muitas dependências de libs compartilhadas, então para o usuário zé ruela é horrível ter que instalar as libs no braço para poder rodar uma aplicação. Mas se você fizer um pacote para facilitar a vida de todos, cada distribuição adota um modelo. Os mais comuns são os rpm (Fedora e Red Hat) ou deb (Debian e Ubuntu), mas tem outras coisas esotéricas. Daí pra desenvolvedor é um lixo, porque tem que fazer um pacote para cada distro, ao invés de fazer um binário único. Tinha que ter uma distro predominante para facilitar para todos.

BCS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BCS disse...

Acho que padronização nunca vai ter, sempre vai surgir alguem que quer mudar algo e vai criar sua propria versao...

Nessas horas que eu acho que faz falta um chefe para bater o martelo e pronto :) e nem assim funciona as vezes