domingo, 3 de maio de 2009

Linux vs Windows

Algumas considerações depois de alguns dias usando o Linux primariamente. Decidi inclusive usar uma partição maior e, no processo, acabei me rendendo ao eye candy (tá, boiolice mesmo) do Gnome e coloquei o Ubuntu 9.04 (o Jaunty Jackalope). Vou separar em seções pelo uso do sistema e aplicativos disponíveis, já que não faz sentido comparar um sistema com o outro diretamente.

Internet - o Firefox no Linux comporta-se, como esperado, igual ao do Windows. O maior problema foi instalar o plugin do Flash 10, já que instalei a versão 64 bits e precisou um script para usar o plugin 32 bits nele. Me espanta a Adobe não disponibilizar uma versão 64 bits, mas tudo bem. Uma vantagem é a integração com o sistema de dicionários do Linux para a correção de textos, como o que estou digitando agora. Como não é Microsoft, eu posso instalar quantos dicionários eu quiser e trocar em qualquer momento. Por fim, o uso de BitTorrent vai bem, não tão bem acabado como usando o uTorrent no Windows, que estranhamente não tem versão Linux, mas não tenho do que reclamar (até agora) do Transmission e do Deluge. No geral, ponto para o Linux.

Multimídia - funciona muito bem para reproduzir música e vídeo. Não tive problemas maiores com os arquivos e, francamente, o player padrão, o Totem, baseado no GStreamer, procura Codec automaticamente, o que é uma mão na roda. Música só estou contente porquê compilei o XMMS, um programa descontinuado que é clone do Winamp. Não que o player padrão seja ruim assim, mas odeio gerenciadores de coleção de mídia quando eu quero só ouvir música. No quesito compartilhamento UPnP com o PS3 funcionou bem usando o MediaTomb. Só deu encrenca na hora de manter um único banco de dados para todos os usuários, mas se fosse só para mim, não teria tido nenhum stress. Empate técnico.

Jogos - aí o bicho pega e vou direto ao ponto: se você quer jogar e usar Linux, melhor é comprar um videogame para isso. Nativo para Linux tem pouca coisa, então não dá para viver de Linux e jogos como no Windows. Testei algumas coisas no Wine, o emulador free de Windows, e "funcionou". Entre aspas porquê teve perda de desempenho no processo, mas no geral funciona. Talvez com uma máquina melhor rodasse mais suavemente, mas como estou comparando o desempenho na própria máquina em que rodo os mesmos jogos, o Linux ficou devendo. Ponto pro Windows.

Suporte a Hardware - nos últimos anos as distribuições do Linux melhoraram e muito. Hoje qualquer salsinha instala o sistema em casa com tudo funcionando de primeira. Reconheceu a impressora USB só de ligar. A minha única encrenca é com o suporte à minha placa de vídeo, uma Radeon 9800 Pro, descontinuado pela ATI no driver oficial do XOrg. Então tenho que me virar com o driver open source (talvez por isso os jogos fiquem mais lentos), que dá aulguns bugs visuais estranhos com o Google Earth. Empate técnico.

Uso de Dispositivos USB - pendrive e o PSP foram que é uma beleza. Reconheceu o celular na boa (até o modem de dados dele) e tem um programinha free bem bacana que até instala aplicativo Java, uma mão na roda para desenvolvedores. Não coloquei a máquina fotográfica ainda, mas não vejo porquê daria pau. Empate técnico.

Edição Gráfica - bom, em programas gráficos não tem muito o que reclamar. O Gimp é o padrão de fato para Linux e não deve muito a outros programas. Dito isto, vale lembrar que a interface dele é horrível e nada intuitiva se comparado com programas tão poderosos e bem mais simples, como o PaintShop Pro (que eu tenho original para Windows por sinal). Mas em termos de possibilidade de trabalho, está aí (ou então dá-lhe Wine). Tem programas vetoriais e outros, então, até agora um empate técnico.

Pacote Office - depois de acesso a internet, o segundo maior uso da máquina. A comunidade de software livre deveria dar graças a Deus do monopólio da Microsoft no Windows, porquê só assim um pacote medonho como o StarOffice sairia dos seus primórdios (sim, era horrível aquilo no início) e chegaria a um concorrente a altura do Office da Microsoft na versão OpenOffice. Tive alguns problemas com apresentações, mas como a idéia aos poucos é mudar o pacote completamente e usar o formato nativo, sem stress. Empate técnico.

Programas para Ferreomodelismo - sim, um dos meus (muitos) hobbies é construir maquetes de trem (aliás, desencavei o que restou da maquete N após a mudança) e, claro, tem que ter software para isso. Existe um editor de maquetes open source para Linux e Windows, o XtrkCad, além de poder rodar o 3rd PlanIt no Wine. Tem muita coisa de controle open source em Java, então empate técnico em ambas plataformas.

Peso do sistema - aqui vou evitar comparar com o Windows XP, de 8 anos atrás que roda super bem até em netbook e focar no Vista, o sistema mais recente (e pesado da Microsoft). Em termos visuais e funcionais, o Gnome 2.26.1 não deve nada ao Vista, pessoalmente achei o sistema mais dinâmico e atraente do que o Aero da Microsoft. Como no Vista, o sistema base a a interface comem uma memória razoável e o meu 1GB de RAM deixa isso claro. Como o gerenciamento de memória do Linux é muito superior ao do Windows, a balança pende para o lado do Tux. Ponto para o Linux. Mas se fosse comparar com o XP, seria empate.

Instalação - não importa se você instala o XP ou o Vista, ele leva um bom tempo instalando, configurando zilhões de coisas para que no final, ele ainda gaste mais tempo baixando centenas de MBs de atualizações. Nisso o Linux mudou pouco nos últimos anos, a instalação é infinitamente mais rápida que no Windows. Em menos de 40 minutos você tem um sistema pronto para rodar e atualizado, graças, principalmente, às atualizações frequentes das distribuições e de um instalador eficiente. E olha que hoje em dia demora bem mais, já que pra carregar o Xorg no instalador gráfico é uma "gracinha" que leva quase 3 minutos. Ainda assim, ponto para o Linux.

Imposto de Renda - o Linux seria inútil no Brasil se não desse para declarar o imposto de renda nele. E a receita federal colabora ao fazer os seus programas em Java, rodando até em Mac OS. Empate técnico.

Desenvolvimento Java - tem o JDK, Netbeans e, para os que gostam (eu certamente não), o Eclipse. Ao contrário do Mac OS, dá para fazer aplicação para celular com suporte à J2ME, então nesse aspecto do meu trabalho não tenho o que reclamar. Empate técnico.

Desenvolvimento C/C++ - deixei por último o ponto mais sensível, já que é o único que justifica eu manter uma partição de 70GB para o Windows (além dos jogos). Não existe e não tenho a menor esperança de que vá surgir uma IDE tão completa como o Visual Studio para o Linux. Nem paga, quem dirá de graça. Até ficaria satisfeito com um depurador que fizesse o feijão com o arroz do Visual Studio, mas nem o ddd, que é tido como o melhor depurador gráfico do Linux, consegue sequer dar um passo nessa direção. Trabalhei o meu doutorado inteiro no Linux, programei em cluster Beowulf e sofri com a falta de ferramentas boas no sistema, então sei muito bem do que eu falo. Dá para sobreviver no Linux, mas enquanto o Visual Studio não rodar no Wine, ponto para o Windows.

Se cada um desses itens tivesse o mesmo peso, o Linux ganharia com uma pequena vantagem. Somado ao fato dele não ter custo de licença e ser bastante estável, diria que a transição não me deu prejuízo nenhum e valeu a pena. A única coisa que é BASTANTE importante NO MEU CASO que eu não consegui no Linux foi um ambiente bom de desenvolvimento C/C++, com um depurador visual excepcional como o Visual Studio, que tem versão gratuita (a Express) para o Windows. Enquanto não tiver um depurador C/C++ à altura para o Linux, o Windows ainda fica no HD. Para Java é mamão com açúcar com o Netbeans.

Agora, eu já pensava nisso antes, mas está começando a ficar preocupante: logo, logo eu tenho que fazer um upgrade na máquina :(.

13 comentários:

Tomohare disse...

internet - "ponto para o linux" ??? como assim? vc nao falou nada "melhor", ao contrario, mostrou-nos tuas dificuldades!! Se for "ponto para o linux" diga-nos o que de MELHOR (btw, editor de texto nao seria bem nessa categoria)

Multimídia - tb odeio aquele gerenciador de coleções.

Jogos - ---

Suporte a Hardware - ...

Pacote Office - Eu discordo pq ... bom,eu nao uso office mais e quando tive que usar StarOffice só me deu dor de cabeça ~~ (btw ano passado)

Programas para Ferreomodelismo - wow, gosto de maquetes.

Peso do sistema - compare com o Win7

Instalação - quem fica perdendo tempo esperando na frente do pc a instalação terminar?? essa é uma das boas justificativas de se ir ao cinema, ao supermercado.. ou ao banheiro!

Imposto de Renda - nao sou fã de java

Desenvolvimento C/C++ - rodei o visual 6 no wine

Desenvolvimento Java - interessante q eu gosto do eclipse, mas para trabalhar com javascripts, infelizmente nao existe versão 64bit para windows do eclipse.


O linux sempre me pareceu um ronaldo... bom, mas gordo....
E se vc for por Wine na parada então melhor rodar andlinux no windows!

PV disse...

Internet - ponto para o linux com os dicionários e corretores integrados no Firefox. O programa não ser tão "bonito" como o uTorrent não o torna ruim. O plugin do Flash não é culpa do Linux, mas o Google ajuda. Aliás, já corrigiu bug do Flash no Firefox do Windows que cisma em não funcionar no Youtube? Nem eu, só reinstalando :).

Office - o OpenOffice não perde pro Office da Microsoft. Só se vocÊ quiser compatibilidade total, mas isso seria demais :).

Instalação - claro que eu não fico na frente do computador esperando, mas eu não posso usar o computador!!! Quanto menos leva pra ter o sistema para uso, melhor! :)

Desenvolvimento: Fabrício, você faz parte da comunidade pra lá de esotérica que ainda gosta do Visual C++ 6.0. O Depurador dele é horrível perto dos que tem depois da versão 2003, esses sim dão um couro nos do Linux. O VS6.0 tem um depurador só um pouco melhor que o ddd.

Bom, se o Linux é "gordo", imagino que isso é bom, já que o Windows deva ser um elefante :P. Com uma penca de coisas instaladas aqui estou usando 5,4 GB de disco. Isso é a instalação inicial do XP sem nenhum service pack. Claro, enm comparo com o Vista, que começa em 10GB.

Pelo menos no Linux dá pra rodar um programinha (o Wine) só pra rodar um jogo ou outro que não vai. Agora, rodar uma VM inteira para o Linux no Windows? Tô fora :).

Cindy Dalfovo disse...

Faz mto tempo que não mexo com C++... mas vou começar um projeto agora. Em grupo. Tem gente usando o Visual Studio, eu vou usar o Netbeans (programador java é fogo... xD), vou ver se conto depois como foi a experiência... xD

Uma coisa que, para mim, faz o Ubuntu sentar e cagar em cima do meu Win vista: minha impressora, meu mouse e meu teclado USB funcionam sem choro! Eu não consegui achar os malditos drivers da impressora para o Vista, ele simplesmente não reconhece meu teclado genérico e o mouse? Ele até reconhece, se eu deixar na mesma porta USB que eu instalei... se eu trocar de porta USB, o mouse se torna um completo desconhecido para o Vista... haja paciência!

PV disse...

Aliás Cindy, como anda o depurador C/C++ do Netbeans? Parecido com o do Java pelo menos? Se for, até rola melhor do que usar makefile e gdb na linha de comando :).

Piovezan disse...

Que saudade do Paintshop Pro! Aquilo era intuitivo :D
Ah PV, larga mão de não gostar do Eclipse :) Vou ver como é o depurador do Eclipse com C/C++ e te falo, mas se for igual ao de Java, não vejo grande diferença em relação ao Visual Studio :) Já o ddd é horrível mesmo...
Um belo dia incluo software de composição musical nessa análise Multimídia :)

BCS disse...

Caramba! Curti o Xtrkcad, muito bom! funciona no windows tb, entao sem necessidade de instalar o linux por aqui :)

PV disse...

Pio, NADA, e quando eu digo isso é *NADA* mesmo, se compara ao depurador visual do VS2005 pra frente. Você faz drill down em ponteiro para acessar campos e ponteiros encadeados à vontade. Tudo isso numa tree view bem simples e intuitiva. Corrigir trabalho de compiladores ou jogo nunca foi tão produtivo. Pode procurar no Eclipse, no Netbeans, no que quiser, não chega nem perto mesmo. É triste, eu sei, mas é a vida como ela é.

Se você ainda acha que outras coisas se comparam ao depurador do Visual, na boa, é porquê você nunca usou o depurador do Visual Studio pra fazer algo além de rodar o programa passo-a-passo :).

Por fim, como não sou o único, Netbeans FTW em Java :).

Piovezan disse...

Ô se já usei :) Não do 2005, do anterior que já tinha drill-down de ponteiros. No Eclipse com Java funciona assim mas com referências a objetos no lugar de ponteiros, claro. Tou te falando, vamos conferir o Eclipse com C/C++ e depois a gente conversa...

PV disse...

Pio, não compare batata com tomate. O Eclipse é apenas um IDE que depende do depurador para fazer as suas tarefas. O problema é o gdb, que é bem ruinzinho e não vai ser o Eclipse que vai resolver. Isso que você falou com Java rola até no Netbeans na boa. Mas em Java. Em C/C++ que eu quero ver.

Piovezan disse...

É, eu pesquisei e realmente é diferente... Ponto para o Visual Studio! E será que é verdade que o VS8 dá de dez a zero nas versões anteriores?

Piovezan disse...

Ops, VS2008 :P

PV disse...

De 10 a zero eu acho que é exagero, o que teve a maior mudança foi o 2005 na verdade. Do 2005 para o 2008 a mudança foi mais no suporte ao servidor de versão e nos templates de projeto, então como eu fico no C/C++ com multimídia, não mudou tanto assim.

Mas pra não ficar tão feio pro Eclipse, eu dei uma mexida nele (continua horrível como há 4 anos atrás a interface dele) e tem algo que pelo menos quebra um galho perto do depurador do Visual. Foi um teste num programa de lista encadeada simples, não cheguei a usar um jogo com thread pra ver se aguenta (coisa que o DevC++ não faz), mas pelo menos é um começo quando eu for corrigir trabalhos de compiladores :). A interface podia ser mais funcional, mas a funcionalidade está lá anyway.

Mas que até o DevC++ tem uma interface mais user-friendly que o Eclipse, é um fato incontestável :(.

BCS disse...

DevC++ nao por favor, eh ruim demais aquilo, tao ruim que foi feito em Delphi, ou seja, nem os desenvolvedores dele usam ele.

O pessoal fala do Code::Blocks, nunca usei, mas parece ser um clone do visual 6.