Uma das discussões mais recorrentes no meio de ferreomodelismo é a perda da relevância do hobby. As causas exatas são difíceis de analisar em conjunto, passam pelo custo, espaço requerido e chegam até mesmo no trabalho envolvido, bastante razoável (por exemplo, os modelos do Serrinha e da Heineken levaram uma semana e meia a toque de caixa). Porém, os efeitos são bem conhecidos, é difícil você ver o surgimento de novos praticantes. Culpa-se de tudo, principalmente internet e videogames nos dias de hoje, como na década de 60 deviam culpar a TV e o rock'n'nroll.
Um ponto chave, proposto por dois conhecidos recentemente, é mostrar ao jovem que há mais na vida além de videogame e internet. Verdade, há esportes, literatura, cinema, saídas no fim de semana, etc. Não cola tentar combater internet e videogame porque "atrofiam" o cérebro (opinião média dos ferreomodelistas, diga-se de passagem), porque temos dezenas de outras atividades que fariam o mesmo. É deplorável tentar travar esse combate, porque ele praticamente já está decidido e a coisa não é bonita para o meu lado ferreomodelista.
Aí entra um ponto que considerei recentemente e que a maioria torce o nariz, mas eu defendo mesmo assim. Pessoalmente acredito que o ferreomodelismo como hobby irá continuar, mas não será o ferreomodelismo como praticamos hoje. Aliás, arrisco um prognóstico de que a geração que está entrando agora talvez seja a última a praticar ferreomodelismo dessa forma, manipulando miniaturas reais. Digo isso porque o modelismo ferroviário quando criado, seja lá por quem ou onde, tinha apenas uma alternativa de reproduzir a realidade: fazendo em escala o que se via na realidade. Não existia outra maneira, era isso ou nada.
Como sou da área de computação, trabalhei com computação gráfica, realidade virtual e jogos, penso que, por mais que eu goste de modelar miniaturas, é algo que cada vez faz menos sentido. Hoje temos como reproduzir a realidade em um modelo tridimensional no computador de maneira bastante realista, com detalhes que nunca seriam possíveis nem mesmo em escalas grandes. Tem até mesmo a possibilidade de se colocar elementos ativos no cenário que nunca conseguiríamos colocar numa maquete tradicional. Na maquete tradicional os pedestres são chatos, ficam parados, como estátuas na praça. Num simulador de RV podemos fazê-los andar, esperar o semáforo/trem para atravessar e até mesmo embarcar no trem, quem sabe cumprir um itinerário casa/trabalho/padaria/casa.
Aí vem a reclamação de que "não é a mesma coisa". Não é mesmo, nem é pra ser. Podem dizer que não dá para pegar, mas o orgulho do ferreomodelista é operar o trem sem tocar, fazendo com que ele realize as manobras da maneira mais parecida com a real. Praticamente, não haveria diferença nesse ponto numa maquete "virtual" (porque simulado até as tradicionais são). Mesmo quando diz-se que não envolve marcenaria, pintura, etc, tem o ponto de que as habilidades envolvidas são completamente diferentes. O conhecimento para manipular as ferramentas de um simulador computacional para obter um resultado excepcional é tão complexo como o para fazer uma miniatura "real". Não é porque a técnica é diferente da tradicional que ela deixa de ter valor ou ser complexa.
Nisso eu enxergo algumas possibilidades interessantes. Iniciativas como o open source e creative commons seriam uma oportunidade de se produzir conteúdo ferroviário como nunca antes visto, com esforços de colaboração grandes, dando acesso a muita gente, seja como "modelista" ou "rodador de trem". Pode parecer uma viagem minha, mas depois que lançaram o Train Simulator e o Trainz, o caminho inicial foi dado. Agora é saber como a comunidade vai caminhar, se para a extinção lenta ou para a adaptação em algo compatível com os recursos disponíveis nos dias de hoje. De quebra, poderíamos até dizer que ferreomodelismo seria um hobby "sustentável" e ecologicamente correto, afinal, um CD ou pendrive poderia levar a maquete para qualquer lugar.
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domingo, 9 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
2º Encontro de Ferreomodelismo
Ontem foi o dia do 2º Encontro de Ferreomodelismo, promovido pela Serra Verde Express e Passatempo Modelismo. Evento legal, muita gente, nem imaginava que a região metropolitana de Curitiba tivesse tantos ferreomodelistas e simpatizantes.
Eu acabei participando com dois modelos da Serra Verde Express, os carros da Turma do Serrinha e da Heineken, logo do início da operação da Serra Verde no trecho Paranaguá-Curitiba. Os decalques, claro, foram fabricação própria :). Ficaram em 2º e 3º colocados no concurso de Carros de Passageiros e Litorinas, categoria iniciantes.
Como eu quis fazer algo mais detalhado do que o modelo original da loja, abri a porta lateral (tem no da loja mas não tem no real), coloquei escada de embarque e a porta que dá acesso a plataforma de embarque. Além disso, modifiquei a testeira para ficar mais próxima a do vagão real.
Claro, teve "viagem inaugural" na CFSL, composição especial tracionada pela locomotiva "oficial" da mesma. Agora que eu me animei, dá pra desengavetar uns projetos mais antigos.
Vista "aérea" da parte das maquetes
Eu acabei participando com dois modelos da Serra Verde Express, os carros da Turma do Serrinha e da Heineken, logo do início da operação da Serra Verde no trecho Paranaguá-Curitiba. Os decalques, claro, foram fabricação própria :). Ficaram em 2º e 3º colocados no concurso de Carros de Passageiros e Litorinas, categoria iniciantes.
Como eu quis fazer algo mais detalhado do que o modelo original da loja, abri a porta lateral (tem no da loja mas não tem no real), coloquei escada de embarque e a porta que dá acesso a plataforma de embarque. Além disso, modifiquei a testeira para ficar mais próxima a do vagão real.
Claro, teve "viagem inaugural" na CFSL, composição especial tracionada pela locomotiva "oficial" da mesma. Agora que eu me animei, dá pra desengavetar uns projetos mais antigos.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Maquete Nova
Um dos meus (muitos) hobbies é o ferreomodelismo, que pode ser praticado de diversas formas, como na modificação e construção de modelos, ou a construção de maquetes, as duas ramificações que eu pratico em especial. No Brasil tem um fabricante, a Frateschi, que foi como eu conheci o hobby em 82 e entrei de cabeça em 87 (sim, faz tempo).
Não é minha primeira maquete, mas a quarta (ou terceira, se desconsiderar um diorama turbinado com operações como maquete), sendo a segunda em escala HO (1:87, a mais comum). Como eu queria colocar a criançada mais perto do modelismo e, quem sabe, ganhar um colega praticante a longo prazo, resolvi fazer uma maquete pequena (1,6x1,2m).
A escolha do tamanho é mais pela possibilidade de acabar a empreitada em pouco tempo (2 a 3 meses) do que por falta de espaço, já que o quarto em que essa se encontra é pra construir uma maquete com dois, ou três níveis, e mais de 40 metros de linha linear. Essa levará anos, então, melhor algo rápido para satisfazer a criançada.
Chamei a dita de Companhia Ferroviária Salto do Lontra - CFSL, em homenagem à cidade no sudoeste do estado do Paraná (sim, a cidade existe, tem até Rotary Club), representando uma linha concessionada à ALL, concessionária das linhas da antiga SR-5 da RFFSA. Na Salto do Lontra original não passa trem, mas é esse tipo de licença poética que torna o ferreomodelismo interessante, já que o objetivo não é unicamente modelar a realidade de acordo com o que a gente pode observar no mundo real, mas sim criar realidades hipotéticas que sejam razoáveis dentro do que se espera no contexto de uma cidade de beira de linha.
Até agora foi a parte fácil. Apesar do planejamento e construção do tablado demandarem tempo, colocar os trilhos vai rápido. O que demora mesmo é construir o cenário, a próxima etapa. Nessa maquete vai ser bem variado, com um divisor de cenário para que a maquete possa ser vista como duas localidades distintas, sem que uma atrapalhe a visualização da outra ( o que não é pouco para uma maquete tão pequena).
A medida que a coisa for evoluindo eu vou colocando mais fotos. Enquanto isso, me divirto com o Angelo e a Bia, que por mais que não entendam bem o hobby, ficam fascinados com um trem miniatura que a gente pode controlar e levar vagões de um lado a outro :).
A medida que a coisa for evoluindo eu vou colocando mais fotos. Enquanto isso, me divirto com o Angelo e a Bia, que por mais que não entendam bem o hobby, ficam fascinados com um trem miniatura que a gente pode controlar e levar vagões de um lado a outro :).
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