O Pio num twit interessante sobre metodologias ágeis me fez lembrar de um assunto interessante. Hoje em dia, uma empresa de software valoriza mais a forma do que o conteúdo. Não importa se o sistema for simplesmente uma agenda para a produção de pão em uma padaria, o mercado valoriza tanto a reusabilidade de código, a documentação, o plano de testes, a infra-estrutura utilizada e 2000 páginas de documentação que, no final, a funcionalidade única do sistema fica em segundo plano.
Longe de defender uma metodologia anárquica, porém organização por si só não garante boas coisas, afinal, ela deve ter um objetivo maior. E é aí que eu vejo alunos entrando de cabeça em todo esse aparato sem se preocupar que isso é acessório para realizar uma tarefa bastante concreta e que existe no mundo real. Não adianta dezenas de boas práticas se no fundo não se conhece bem o negócio que se quer modelar. Dificilmente o cliente reclama que o sistema trava, mas sim que ele não faz o esperado. E não tem boa prática de projeto ou infra-estrutura de servidor que resolva isso.
Acho difícil sair dessa espiral descendente em que se mede qualidade de software com métricas que são dissociadas do objetivo do software em si. Afinal, uma empresa de software é tocada por administradores que não sabem diferenciar um documento Word de um programa Hello world!, mas é preciso pelo menos colocar na cabeça do pessoal que sai da universidade de que software é negócio, mas não nosso, é negócio do cliente e que nenhuma metodologia vai conseguir sozinha traduzir isso para um sistema. Por mais simples que ele seja.