Algumas considerações depois de alguns dias usando o Linux primariamente. Decidi inclusive usar uma partição maior e, no processo, acabei me rendendo ao
eye candy (tá, boiolice mesmo) do
Gnome e coloquei o
Ubuntu 9.04 (o
Jaunty Jackalope). Vou separar em seções pelo uso do sistema e aplicativos disponíveis, já que não faz sentido comparar um sistema com o outro diretamente.
Internet - o Firefox no Linux comporta-se, como esperado, igual ao do Windows. O maior problema foi instalar o
plugin do
Flash 10, já que instalei a versão 64 bits e precisou um script para usar o plugin 32 bits nele. Me espanta a Adobe não disponibilizar uma versão 64 bits, mas tudo bem. Uma vantagem é a integração com o sistema de dicionários do Linux para a correção de textos, como o que estou digitando agora. Como não é Microsoft, eu posso instalar quantos dicionários eu quiser e trocar em qualquer momento. Por fim, o uso de BitTorrent vai bem, não tão bem acabado como usando o
uTorrent no Windows, que estranhamente não tem versão Linux, mas não tenho do que reclamar (até agora) do
Transmission e do
Deluge. No geral, ponto para o Linux.
Multimídia - funciona muito bem para reproduzir música e vídeo. Não tive problemas maiores com os arquivos e, francamente, o
player padrão, o
Totem, baseado no
GStreamer, procura Codec automaticamente, o que é uma mão na roda. Música só estou contente porquê compilei o
XMMS, um programa descontinuado que é clone do Winamp. Não que o player padrão seja ruim assim, mas odeio gerenciadores de coleção de mídia quando eu quero só ouvir música. No quesito compartilhamento
UPnP com o PS3 funcionou bem usando o
MediaTomb. Só deu encrenca na hora de manter um único banco de dados para todos os usuários, mas se fosse só para mim, não teria tido nenhum stress. Empate técnico.
Jogos - aí o bicho pega e vou direto ao ponto: se você quer jogar e usar Linux, melhor é comprar um videogame para isso. Nativo para Linux tem pouca coisa, então não dá para viver de Linux e jogos como no Windows. Testei algumas coisas no
Wine, o emulador
free de Windows, e "funcionou". Entre aspas porquê teve perda de desempenho no processo, mas no geral funciona. Talvez com uma máquina melhor rodasse mais suavemente, mas como estou comparando o desempenho na própria máquina em que rodo os mesmos jogos, o Linux ficou devendo. Ponto pro Windows.
Suporte a Hardware - nos últimos anos as distribuições do Linux melhoraram e muito. Hoje qualquer salsinha instala o sistema em casa com tudo funcionando de primeira. Reconheceu a impressora USB só de ligar. A minha única encrenca é com o suporte à minha placa de vídeo, uma
Radeon 9800 Pro, descontinuado pela ATI no driver oficial do XOrg. Então tenho que me virar com o driver open source (talvez por isso os jogos fiquem mais lentos), que dá aulguns bugs visuais estranhos com o
Google Earth. Empate técnico.
Uso de Dispositivos USB - pendrive e o PSP foram que é uma beleza. Reconheceu o celular na boa (até o modem de dados dele) e tem um programinha
free bem bacana que até instala aplicativo Java, uma mão na roda para desenvolvedores. Não coloquei a máquina fotográfica ainda, mas não vejo porquê daria pau. Empate técnico.
Edição Gráfica - bom, em programas gráficos não tem muito o que reclamar. O
Gimp é o padrão de fato para Linux e não deve muito a outros programas. Dito isto, vale lembrar que a interface dele é horrível e nada intuitiva se comparado com programas tão poderosos e bem mais simples, como o
PaintShop Pro (que eu tenho original para Windows por sinal). Mas em termos de possibilidade de trabalho, está aí (ou então dá-lhe Wine). Tem programas vetoriais e outros, então, até agora um empate técnico.
Pacote Office - depois de acesso a internet, o segundo maior uso da máquina. A comunidade de software livre deveria dar graças a Deus do monopólio da Microsoft no Windows, porquê só assim um pacote medonho como o
StarOffice sairia dos seus primórdios (sim, era horrível aquilo no início) e chegaria a um concorrente a altura do
Office da Microsoft na versão
OpenOffice. Tive alguns problemas com apresentações, mas como a idéia aos poucos é mudar o pacote completamente e usar o formato nativo, sem stress. Empate técnico.
Programas para Ferreomodelismo - sim, um dos meus (muitos)
hobbies é construir maquetes de trem (aliás, desencavei o que restou da maquete N após a mudança) e, claro, tem que ter software para isso. Existe um editor de maquetes
open source para Linux e Windows, o
XtrkCad, além de poder rodar o
3rd PlanIt no
Wine. Tem muita coisa de controle
open source em Java, então empate técnico em ambas plataformas.
Peso do sistema - aqui vou evitar comparar com o
Windows XP, de 8 anos atrás que roda super bem até em
netbook e focar no
Vista, o sistema mais recente (e pesado da Microsoft). Em termos visuais e funcionais, o
Gnome 2.26.1 não deve nada ao
Vista, pessoalmente achei o sistema mais dinâmico e atraente do que o
Aero da Microsoft. Como no Vista, o sistema base a a interface comem uma memória razoável e o meu 1GB de RAM deixa isso claro. Como o gerenciamento de memória do Linux é muito superior ao do Windows, a balança pende para o lado do Tux. Ponto para o Linux. Mas se fosse comparar com o XP, seria empate.
Instalação - não importa se você instala o
XP ou o
Vista, ele leva um bom tempo instalando, configurando zilhões de coisas para que no final, ele ainda gaste mais tempo baixando centenas de MBs de atualizações. Nisso o Linux mudou pouco nos últimos anos, a instalação é infinitamente mais rápida que no Windows. Em menos de 40 minutos você tem um sistema pronto para rodar e atualizado, graças, principalmente, às atualizações frequentes das distribuições e de um instalador eficiente. E olha que hoje em dia demora bem mais, já que pra carregar o Xorg no instalador gráfico é uma "gracinha" que leva quase 3 minutos. Ainda assim, ponto para o Linux.
Imposto de Renda - o Linux seria inútil no Brasil se não desse para declarar o imposto de renda nele. E a receita federal colabora ao fazer os seus programas em Java, rodando até em Mac OS. Empate técnico.
Desenvolvimento Java - tem o JDK, Netbeans e, para os que gostam (eu certamente não), o Eclipse. Ao contrário do Mac OS, dá para fazer aplicação para celular com suporte à J2ME, então nesse aspecto do meu trabalho não tenho o que reclamar. Empate técnico.
Desenvolvimento C/C++ - deixei por último o ponto mais sensível, já que é o único que justifica eu manter uma partição de 70GB para o Windows (além dos jogos). Não existe e não tenho a menor esperança de que vá surgir uma IDE tão completa como o
Visual Studio para o Linux. Nem paga, quem dirá de graça. Até ficaria satisfeito com um depurador que fizesse o feijão com o arroz do
Visual Studio, mas nem o
ddd, que é tido como o melhor depurador gráfico do Linux, consegue sequer dar um passo nessa direção. Trabalhei o meu doutorado inteiro no Linux, programei em cluster Beowulf e sofri com a falta de ferramentas boas no sistema, então sei muito bem do que eu falo. Dá para sobreviver no Linux, mas enquanto o
Visual Studio não rodar no
Wine, ponto para o Windows.
Se cada um desses itens tivesse o mesmo peso, o Linux ganharia com uma pequena vantagem. Somado ao fato dele não ter custo de licença e ser bastante estável, diria que a transição não me deu prejuízo nenhum e valeu a pena. A única coisa que é BASTANTE importante NO MEU CASO que eu não consegui no Linux foi um ambiente bom de desenvolvimento C/C++, com um depurador visual excepcional como o
Visual Studio, que tem versão gratuita (a
Express) para o Windows. Enquanto não tiver um depurador C/C++ à altura para o Linux, o Windows ainda fica no HD. Para Java é mamão com açúcar com o Netbeans.
Agora, eu já pensava nisso antes, mas está começando a ficar preocupante: logo, logo eu tenho que fazer um
upgrade na máquina :(.